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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2010 - 9º ANO


Em 2010, as saudações do Bloco foram direcionadas ao poeta e compositor Romero Amorim. No Recife, dentre várias das suas composições, Romero Amorim ficou conhecido como o "Poeta da Aurora", devido à composição Aurora de Amor que fez em parceria com Maurício Cavalcanti. Esta música canta e conta uma história de amor decorrida na Rua da Aurora (no Centro do Recife) situada às margens do rio Capibaribe.

Romero emprestou sua verve poética para o frevo pernambucano e criou belíssimas letras, especialmente aquelas que ganharam asas ao serem entoadas nas vozes dos corais dos Blocos Líricos. A sua profundidade, enquanto poeta, serviu para dar uma roupagem mais refinada à parte literária do frevo-de-bloco. Assim, aquele homem que foi um inspirado poeta, ao dialogar com o frevo, transformava-se, não num compositor, como ele mesmo chegou a referir, mas sim num "poeta musical".




Motivados por essa história, os dirigentes do Um Bloco em Poesia escolhem como tema para o carnaval daquele ano A Aurora, o Rio e a Poesia. Além disso, o poeta João Araújo compôs o frevo-de-bloco Carta para Romero Amorim cuja letra faz referências a algumas obras do homenageado.

Carta para Romero Amorim
João Araújo

Lisboa, agosto de dois mil encantos
Caro Romero, como vai a Aurora?
E a filigrana de lirismo e canto
Que a tua lira desenhou na história?

Quando encontrares nosso rio amado
Diz que a minha fé jamais se entrega
Que o meu peito é um frevo sincopado
Que todo cais é um clarim de pedra

Eu gostaria, meu poeta amigo
Que o meu regresso fosse luz e graça
De imperador eu estaria contigo
A navegar tua redonda barcaça

Quando o percurso do oceano, findo
Dispararia forte o meu coração
Avistaria Olinda em flor sorrindo
Declamaria Recifloração...


A música não foi gravada oficialmente em CD, permanecendo inédita até o ano de 2013, quando  foi inscrita e classificada no Festival do Frevo da Humanidade, promovido pela Prefeitura da Cidade do Recife. Neste evento, a composição recebeu o prêmio de Melhor Intérprete, ao ser defendida através da voz da cantora Dalva Torres. Segue abaixo um video com tal apresentação, decorrida no Parque Dona Lindu, na Avenida Boa Viagem, Recife, Pernambuco.



Abaixo, modelo das fantasias feminina e masculina.



2009 - 8º ANO


Em 2009, as homenagens foram prestadas ao Coral Edgard Moraes (ver Blog Oficial do Coral aqui) pelos seus 20 anos de brilhante atuação na poesia carnavalesca pernambucana. Também foi composta uma música especialmente para o evento com o título Poema ao Coral Edgard Moraes, de autoria de João Araújo. As atuações das vozes do Coral Edgard Moraes pelos palcos da cidade fazem pensar na força e delicadeza, na garra e suavidade, na meiguice das pétalas de uma flor e na dureza da superfície de um arrecife, enfim, qualidades estas antagônicas mas que se mostram complementares no povo nordestino

Poema ao Coral Edgard Moraes
João Araújo

São as vozes da Aurora e do entardecer
São as vozes que agora me fazem sonhar
Elas são o canto das aves que estão por nascer
Meu verso ansioso em poder voar

São a alegria do peito a se desprender
São melodias incríveis do sangue a jorrar
Elas são a flor... o arrecife brincando de ser
Sinfonias de frevo, meu bloco a desfilar

Esse espanto de amor
Esse encanto feroz
Essa chama atroz
Que arrepia ao cantar

Nosso canto de luz
Nosso pranto na voz
Força que em todos nós
Se traduz em luar




Naquele ano, o tema escolhido para o desfile carnavalesco do grupo foi buscar o seu elã na Sétima Arte. Assim, o artista plástico Francisco Câmara desenvolveu os adereços e fantasias da agremiação inspirado no tema Fascinação e Glamour da Sétima Arte.






Uma segunda composição foi elaborada por João Araújo e Dalva Torres, de forma a trazer à tona, desta vez, a memória do cinema nacional através de nomes como os de Oscarito, Grande Otelo e Carmem Miranda que tanto sucesso fizeram entre os brasileiros sob a marca, por exemplo, de mundos imaginários como o da Atlântida.

Raízes do Cinema Nacional 
João Araújo & Dalva Torres 

Queria ser Oscarito, 
Carmem Miranda com seus balangandãs, 
Lá na Atlântida um mundo mais bonito 
Crescia rico como o brilho das manhãs 

Depois, na tela, Grande Otelo, 
Macunaíma preguiçoso trapalhão, 
Fez da risada o seu castelo 
Pra nossa eterna diversão 

Vou de Teatro de Revista, 
Vedete, Chanchada e Musical, 
Quem não tem sonho, então assista 
(O nosso Cinema Nacional) 
(O filme do nosso Carnaval)